A aldeia de Santa Vitória é caracterizada por uma estrutura de parcelas de terreno de dominante longitudinal que unem a rua principal e a rua de traseiras e que correspondem às faces de menor dimensão do lote, onde os interiores são maioritariamente ocupados com pequenas construções, sanitários ou arrumos, executadas de forma precária e ágil com chapas e tijolos não rebocados.
Nesta parcela com 240 m2 Nascente-Poente a casa existente constrói o limite Poente e determina a fronteira na sua menor dimensão com a rua principal.
Partindo da ideia fundadora de manutenção da casa existente o programa é construído entre os limites do terreno onde as funções se sucedem entre pátios: 1 existente – casa de entrada e trabalho com w.c. ; 2 – cozinha/sala ; 3 – quarto e w.c.
A casa existente permanecendo com a sua estrutura e limites intactos promove o afastamento da construção nova e o ritmo da sua implantação.
Em toda a extensão do lote a casa vive-se entre dois muros numa sucessão de `casas´ a partir da existente.
Os muros, integralmente construídos com tijolo de betão colorido com acabamento fino, são estruturados por vigas que separam pavimentos descobertos e cobertos e definem volumes de betão velados por cal.
Os volumes que se elevam dos muros acentuam o efeito perspéctico e permeável das `casas´ da casa.
Data: 2001/2003
Localização: Santa Vitória, Beja
Cliente: Elisabete Gomes
Arquitectura: Rui Mendes
Estabilidade: Fernando Rodrigues
Instalações: Francisco Hermenegildo
Fotografias: José Pedro Tomaz