EXPOSIÇÃO NORTE/SUL
Arquitectura contemporânea em diálogo
DO PROGRAMA E TEMA
O diálogo Norte-Sul com Portugal como eixo geográfico e cultural destes fluxos é identificado como a ideia que sustentará a identidade formal e programática da Trienal 2010.
Trabalhar com a contingência, com a não finitude da acção, são coisas de que gostamos. Pensar a imprevisibilidade da vida é desenhar uma construção rigorosamente técnica, nítida, que não determina fim, modo. Isto é amparar a imponderabilidade da liberdade individual, como nos diz o arquitecto Paulo Mendes da Rocha no seu texto “ A cidade para todos”.
PLATAFORMA: CONCEITO E REFERENCIAÇÃO
De acordo com as permissas estabelecidas, a existência de 5 núcleos como afirmação de um discurso entre Norte (Escandinávia + Suiça) – Sul (Brasil-África) com Portugal como eixo e charneira nesta desejada cadeia, considerámos a hipótese de uma grande plataforma, cuja característica principal e mais evidente seria a manifestação de uma unidade sem fronteiras ou barreiras, capaz de assumir uma superfície comum, sem hierarquias, como ponto de partida.
A PLATAFORMA é o grande suporte expositivo. Esta grande área-mesa começa por materialmente se desagregar em particulas de igual dimensão que definem uma mancha de ocupação. É este momento do processo que promove e estabiliza o carácter que propomos para esta exposição e por definição para o evento Trienal 2010: grande mesa-PLATAFORMA que se constrói em peças rigorosamente iguais, desagregados entre si, para permitir a circulação no seu interior.
PLATAFORMA: ADAPTAÇÃO AO ESPAÇO EXPOSITIVO
A grande PLATAFORMA ocupa e define a área central da sala de exposição e estende-se de forma fragmentada. Propomos um discurso afirmadamente fragmentário, por oposição a uma estrutura linear.
Definida por uma mancha circunscrita na nave de pé direito inferior, a PLATAFORMA instala-se entre o volume exterior arborizado e o volume vertical, a zona de acesso à exposição. Dispostas à mesma cota estas peças/mesas permanecem em absoluta relação entre si, mantendo a noção de ambiente fluido.
As características do espaço expositivo expõem a PLATAFORMA à contingência dos elementos que o estruturam. Assim, algumas das peças desta construção são removidas pelo encontro com a estrutura existente. Do mesmo modo a implantação das ILHAS abre novos caminhos mais directos à periferia da PLATAFORMA e assim percursos mais claros.
PLATAFORMA: DO AMBIENTE AOS OBJECTOS
De acordo com a ideia de uma superfície expositiva de grande repetição, assentámos a sua concretização na escolha de matérias de uso e proporções correntes que com pouco esforço e um reduzido conjunto de peças possibílite montagem,desmontagem e transporte eficaz.
O espaço de circulação fixado entre mesas é de 1.30m. Esta dimensão permite a circulação de visitantes com mobilidade reduzida e a fluidez necessária para duas pessoas lado a lado, mantendo a densidade enquanto ideia chave da exposição.
A mesa é construída com uma caixa única de MDF com 19mm de espessura e 10 de altura de dimensão 2750 x 1830mm e acabamento com pintura de côr branca. É assente em vigas de madeira com secção 80 x 80mm onde encaixam os apoios metálicos em tubo estrutural quadrado com 50 x 50mm. Com furações prévias onde são fixados tubos metálicos flexíveis para iluminação do suporte (tipo flex). A legendagem em suporte vinílico Dim A3 é colada numa extremidade de cada mesa. Cada núcleo terá uma mesa-mapa em recorte vinílico colado na superficie. A outra peça que concebemos como área expositiva, a ILHA, permite um destaque de áreas expositivas que abrigam outros formatos, como instalações vídeo, instalações de som, ou outras peças. Este elemento é constituido por uma parede textil contínua, de dimensão variável e espessura constante de 30cm.Com estrutura metálica, a cortina pelo exterior e a tela blackout pelo interior são fixadas com sistema de molas. Os elementos de identificação simbólica, em recorte vinílico, são aplicados na cortina exterior. Nas faces interiores são impressos programas em vinil. Adjacente ao espaço expositivo definido pela PLATAFORMA, são instalados um grupo de balcões, em MDF pintados de branco, que de forma sucessiva ocupam a grande nave vertical de acesso à exposição. São áreas destinadas à LOJA TRIENAL, PLAYGROUND, LOUNGE e CONFERÊNCIAS.
CONCEITO: FLEXIBILIDADE E MONTAGEM EM OUTROS ESPAÇOS EXPOSITIVOS
A autonomia de cada uma destas peças reforça a flexibilidade do conceito expositivo proposto. A combinação de mesas com uma ou mais áreas ilhas constitue um NÚCLEO da exposição. Na versão que apresentamos a cada NÚCLEO correspondem 20 mesas e uma ILHA. O grau de permeabilidade entre os 5 NÚCLEOS deverá ser definido pelos curadores. Esta versão corresponde à ocupação máxima prevista, podendo ser reduzida por decisão curatorial.
Data: 2009
Localização: CCB, Lisboa
Cliente: Trienal de Arquitectura de Lisboa
Arquitectura: Atelier Rui Mendes e Atelier RUA
Equipa: Rui Mendes, Rui Didier, Luis Valente, Paulo Borralho, Francisco Freitas, Ana tomé
Design Gráfico: Rui Matos Martins
Iluminação: Margarida Costa Martins
Concurso
2º Classificado